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O dia 21 de março foi instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) como o Dia Internacional pela Eliminação da Discriminação Racial. A data ficou marcada pelo massacre que ocorreu no ano de 1960 em Sharpeville, um bairro negro situado na África do Sul, que resultou na morte de 69 pessoas e mais de 180 feridos que protestavam contra a Lei do Passe, uma das leis do regime de apartheid que restrigiam o acesso de pessoas negras em áreas urbanas.
De acordo com o censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2022 cerca de 10,2% da população se declararam pretas, o que equivale a 20,6 milhões de brasileiros; sendo que 45,3% se declararam pardas, equivalente a 92,1 milhões. Em contrapartida, o Brasil é um país em que a segregação racial permanece enraízada, resultando em exclusão da população negra, aumentando a desigualdade social e econômica e, consequentemente, tornando-a mais vulnerável à violência, falta de acesso à educação e moradia de qualidade.
Entende-se que o ambiente exerce uma grande influência no estado mental do indivíduo, sendo este fortemente influenciado por fatores sociais, econômicos e ambientais. Todavia, o racismo, em suas diversas manifestações, afeta de forma significativa a saúde mental do indivíduo negro, gerando traumas, ansiedade e baixa autoestima e, em muitos casos, o suicídio.
Em vista disso, a Psicologia exerce um papel importante na luta contra a discriminação racial, afirmando a equidade, valorização da dignidade e diversidade humana. Além disso, a prática e escuta clínicas devem se ater às particularidades da população negra, considerando o contexto histórico do racismo no Brasil e seus diferentes efeitos, a fim de não propagar estereótipos, exclusão e negligência, bem como reconhecer e valorizar a cultura afro-brasileira. Por isso, a clínica racializada traz também um compromisso com a memória de povos historicamente marginalizados e levanta a discussão da importância de despatologizar vivências marcadas pelo racismo.
Fontes de consulta:
https://www.unesco.org/pt/node/666911
https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/38719-censo-2022-pela-primeira-vez-desde-1991-a-maior-parte-da-populacao-do-brasil-se-declara-parda2
https://periodicorease.pro.br/rease/article/view/7990/31613
https://dialnet.unirioja.es/servlet/articulo?codigo=105331314
*Maiara Pereira de Souza é psicóloga clínica com ênfase no atendimento infantojuvenil, dedicada à promoção do desenvolvimento emocional, comportamental e social de crianças e adolescentes.
Revisão técnica: Anne Emanuelle Cipriano (CRP 01/26050), conselheira regional e coordenadora da Comissão Especial de Psicologia Clínica do CRP 01/DF.
#descreviparavocê: O carrossel é composto por duas imagens que convidam à leitura do artigo da psicóloga Maiara Pereira de Souza em alusão ao Dia Internacional pela Eliminação da Discriminação Racial. Aparece uma imagem de mãos que remetem à luta antirracista e uma foto da autora, além de um trecho do artigo, em que a psicóloga ressalta: “A prática e escuta clínicas devem se ater às particularidades da população negra, considerando o contexto histórico do racismo no Brasil e seus diferentes efeitos, a fim de não propagar estereótipos, exclusão e negligência, bem como reconhecer e valorizar a cultura afro-brasileira.” Na parte inferior das imagens, aparece a marca gráfica do CRP 01/DF.