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ARTIGO: 29 DE JANEIRO - DIA NACIONAL DA VISIBILIDADE TRANS

ARTIGO: 29 DE JANEIRO - DIA NACIONAL DA VISIBILIDADE TRANS


ARTIGO: 29 de janeiro - Dia Nacional da Visibilidade Trans

No Dia Nacional da Visibilidade Trans, o Conselho Regional de Psicologia do Distrito Federal convida para a leitura do artigo “Dia Nacional da Visibilidade Trans e Psicologia: Acolhimento de Pessoas Trans, Travestis e Não-binárias”, assinado por Enya Daltrozo e Amanda de Moraes, psicólogas integrantes da Comissão Especial de Psicologia e Diversidade Sexual e Gênero.

O texto reforça o compromisso ético da Psicologia com o cuidado, o respeito e a promoção de direitos, destacando que: “O papel de profissionais da Psicologia inclui contribuir para a eliminação da transfobia, não se omitindo frente a discriminações e sem a utilização de instrumentos ou técnicas que reforcem estigmas.”

Confira abaixo o artigo:


Dia Nacional da Visibilidade Trans e Psicologia: Acolhimento de Pessoas Trans, Travestis e Não-binárias

por Enya Daltrozo e Amanda de Moraes

Em 29 de janeiro de 2004, o Brasil deu um passo histórico na construção de políticas públicas voltadas à diversidade de gênero com o lançamento da campanha “Travesti é Respeito”. A iniciativa foi a primeira ação do Estado brasileiro direcionada especificamente à população transgênero e consolidou-se como um marco simbólico e político no reconhecimento de suas demandas no âmbito das políticas de cuidado e atenção à saúde.

Desenvolvida a partir da articulação entre lideranças dos movimentos sociais de pessoas trans e o Programa Nacional de IST e Aids do Ministério da Saúde, a campanha foi lançada em Brasília e reuniu ativistas de todo o país.

Transfobia é o preconceito, a discriminação e a violência direcionados a pessoas trans, travestis e não-binárias, manifestando-se em diversos contextos, como no acesso à saúde, educação, trabalho e direitos básicos. Ela pode aparecer de forma explícita, na forma de agressões físicas ou verbais, ou de maneiras mais sutis, como quando pessoas trans são ignoradas, desrespeitadas ou impedidas de exercer plenamente sua cidadania.

No Brasil, o impacto dessa realidade é alarmante: segundo dossiês da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA), mais de 100 pessoas trans são assassinadas todos os anos, e o país ocupa há mais de uma década o topo do ranking mundial de homicídios contra essa população. Esse cenário evidencia que a transfobia é estrutural, estando enraizada em práticas sociais, culturais e institucionais, e não se limita a atitudes individuais.

Diante dessa realidade, a mobilização coletiva da população trans tem se fortalecido. Em janeiro de 2024, Brasília foi palco da 1ª Marsha Trans Brasil, reunindo ativistas de todo o país na Esplanada dos Ministérios em um ato histórico pelos 20 anos da Visibilidade Trans. Em 2025, a 2ª Marsha voltou a ocupar as ruas da capital federal, reunindo milhares de pessoas em defesa da vida, da cidadania e do futuro da população trans. A 3ª Marsha Trans Brasil, ocorrida em 25 de janeiro de 2026, teve o propósito de ampliar o movimento, promovendo debates, atos públicos e articulações políticas, fortalecendo o protagonismo de pessoas trans, travestis e não-binárias nas decisões do país.

Dar visibilidade a algo é fundamental, pois significa tornar visível, reconhecer, validar, dar espaço e valor às narrativas. No caso dessa população, promover visibilidade é afirmar que essas pessoas existem, têm voz, histórias e o direito de ocupar todos os espaços da sociedade. Isso também contribui para a difusão de informação, maior acesso a oportunidades e inclusão social.

Entretanto, promover a visibilidade da população trans, travesti e não-binária não se limita a reconhecer sua existência, também envolve criar espaços de acolhimento e respeito em diferentes contextos sociais. Nesse sentido, profissionais de Psicologia têm um papel essencial: podem utilizar seu conhecimento para incentivar o diálogo, ampliar a compreensão sobre essas realidades e contribuir para a construção de ambientes que promovam a expressão plena da diversidade.

Considerando os princípios éticos da profissão, a Psicologia deve contribuir com seu conhecimento para promover respeito e acolhimento por meio da abertura ao diálogo e à reflexão a respeito da realidade vivida de pessoas trans, travestis e não-binárias, permitindo a superação de preconceitos e discriminações.

Como fundamenta a Resolução CFP nº 01/2018 e a Nota Técnica CFP nº 11/2025, sua prática deve ser necessariamente despatologizante, rejeitando a ideia de que identidades trans constituem doenças ou desvios.

O papel de profissionais da psicologia inclui contribuir para a eliminação da transfobia, não se omitindo frente a discriminações e sem a utilização de instrumentos ou técnicas que reforcem estigmas. É expressamente vedada qualquer colaboração com processos de terapias de conversão, práticas violentas ou metodologias com o objetivo de alterar a identidade de gênero de qualquer pessoa.

O acolhimento psicológico deve se nortear pela autodeterminação do indivíduo, respeitando plenamente sua identidade de gênero, seu nome social e seus pronomes. A escuta qualificada deve considerar as interseccionalidades (raça, classe, idade, deficiências, neurodivergências, origem) que tornam suas experiências únicas e podem potencializar vulnerabilidades.

A Psicologia se coloca como um agente que constrói uma sociedade mais justa, garantindo dignidade, autonomia e saúde integral para pessoas trans, travestis e não-binárias, em consonância com uma prática ética e comprometida com os direitos humanos.
 
Sobre as autoras:

Enya Daltrozo (CRP 01/22383) é uma pessoa não-binária e neurodivergente. Formade pela Universidade de Brasília (UnB), atua como Psicólogue e Arteterapeuta na área clínica, com especialização em Gestalt Terapia e como Conselheire Suplente no 18º Plenário do CRP 01/DF. Atualmente coordena a Comissão de Diversidade de Gênero e Sexual e é membra do GT de Comunicação do CRP 01/DF. Em seus estudos e trabalho, busca focar em questões sobre diversidade de gênero, sexual, relacional e neurodiversidade. Possui experiência clínica no atendimento de adolescentes e adultos, pessoas  LGBTQIA+ e neurodivergentes.

Amanda Silva de Moraes (CRP 01/20580) é psicóloga formada pela Universidade de Brasília (UnB). Como psicóloga clínica, atende adultos, adolescentes e grupos pelas abordagens da Psicologia Africana e da Terapia Sistêmica. Atual Conselheira no 18º Plenário do CRP 01/DF. Atua como consultora de projetos, com foco em projetos de Diversidade e Inclusão (DEI) e subsistemas de Gente e Gestão. De 2023 a 2025 atuou como Especialista de DEI na TODXS, ONG brasileira referência em projetos de empreendedorismo LGBTI+. Desde 2020 lidera e executa o Apoio Psicológico da Jornada de Liderança de Mulheres Negras do Programa Firminas, que conta com mais de 300 mulheres negras diretamente impactadas, experiência que lhe rendeu o capítulo "Firmina(s): liderança afetuosa de mulheres negras" no livro Saúde Mental da População Preta Importa, publicado pela Editora Conquista em 2022.

#DescreviParaVocê: imagem colorida com a marca gráfica do CRP 01/DF, chamada para leitura do artigo e fotografias de rosto das duas autoras.



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